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Desafios da Comunicação no casal | Pela hipnoterapeuta e formadora Maria João C. Dias

Umdos grandes desafios que o casal enfrenta durante o seu relacionamento é a capacidade de comunicar de forma adequada as suas emoções, sem que estas sejam interpretadas de forma errada pelo companheiro. E os casais com filhos pequenos podem dedicar algum do seu tempo a ensiná-los a expressar emoções da forma adequada, aplicando o que refiro abaixo.

A maioria de nós, também por uma questão cultural, não está confortável ao expressar emoções, e acaba por fazê-lo da forma menos correcta. “Porque chegas sempre tão tarde??!!” pode (e deve) ser substituido por “Eu sinto-me triste ou sozinha/o quando chegas tarde” ou “Tenho saudades tuas quando estou aqui sozinha/o”. A primeira frase é sentida como uma crítica e respondida quase sempre com um contra ataque “Para que é que hei-de chegar mais cedo? Para te ouvir reclamar?!”.

A verdadeira intenção da frase é transmitir ao companheiro como aprecia a sua companhia. Em vez disso, esta crítica, para além de não expressar a verdadeira emoção de quem a profere, inicia uma discussão que afasta o casal ainda mais. Podemos utilizar esta estratégia na dinâmica do casal sempre que um dos dois pensa em criticar o outro. “Sinto-me desvalorizada/o e sozinha/o quando olhas para o telemóvel à mesa” é muito diferente de “se continuas a olhar para o telemóvel, vou comer para a frente da televisão.” A emoção é a mesma, mas a sua expressão provoca respostas totalmente diferentes.

Um conselho que dou frequentemente aos meus pacientes é escreverem numa folha de papel “Eu sinto-me…”, colar no frigorífico ou num local visível e passar a iniciar as frases desta forma sempre que pensam em criticar o companheiro. É uma estratégia muito simples, que tem resultados práticos muito concretos e positivos. Se um dos membros do casal ouvir “eu sinto-me sozinha/o quando vou para a cama sem ti” a primeira reação mental é “eu não quero que a minha companheira/o meu companheiro se sinta sozinha/o. O que posso fazer?”. Uma das reações possíveis é: “Fica aqui só 10 minutos a terminar isto e vamos juntos”.

Um conselho que dou frequentemente aos meus pacientes é escreverem numa folha de papel “Eu sinto-me…”, colar no frigorífico ou num local visível e passar a iniciar as frases desta forma sempre que pensam em criticar o companheiro.

Uma vida de casal é feita de pequenos compromissos e cedências para encontrar um caminho comum. E são mesmo pequenos compromissos. Quando as cedências são demasiado grandes dependem da nossa força de vontade, e o natural é que um dia essa força de vontade se esgote. O melhor mesmo é evitar chegar a estes extremos e reconhecer os nossos limites, negociando pequenas cedências com a comunicação adequada.

Para além duma aprendizagem de comunicação diferente com vista a um maior entendimento do casal, é importante o próprio começar a ter consciência das emoções que sente, que muitas vezes são exageradas ou desproporcionadas na situação, por ex: “Fico cheia/o de ciúmes assim que ele/a olha para alguém do outro sexo”. É muito importante o próprio ir perceber, em terapia, a origem desta insegurança que, na maioria das vezes, resulta de situações e emoções vividas na infância.


O papel da hipnoterapia

Em hipnoterapia, quando regredimos até à origem deste tipo de insegurança, por exemplo, surgem situações em que essa pessoa, na infância, não pôde confiar nos seus progenitores ou cuidadores. É natural que na idade adulta, este comportamento seja projectado nas pessoas que lhe são mais próximas. Durante a sessão de hipnoterapia ajudamos a criança a perceber que a motivação para o comportamento dos pais ou cuidadores são as suas proprias vivências na infância, e não a falta de amor pela criança, o que modifica toda a vivência e as respectivas consequências emocionais.  

Para além duma comunicação mais responsável e cuidada, o trabalho interior e a libertação de emoções há muito guardadas proporciona uma inquestionável melhoria na qualidade de vida.

Maria João Dias

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